Jovens Inspiradores

​Nesta seção, você conhecerá brasileiros que fazem a diferença realizando ações voluntárias em suas comunidades e transformando a realidade de muitas pessoas para melhor.


Raphaela Queiroz


Cursando o último ano do ensino médio, Raphaela Queiroz, aos 18 anos, era uma adolescente rebelde e ressentida com a ausência dos pais, que morreram quando ela ainda era muito nova. Porém, durante uma palestra sobre voluntariado na escola, ela descobriu que poderia usar o seu talento como animadora de festas para levar alegria e esperança a outras crianças que compartilhavam de uma realidade parecida com a sua. Após atrapalhar bastante a apresentação do grupo, ela foi convidada pelos integrantes para animar uma festa para crianças carentes, na comunidade de São Lourenço, em Niterói. A jovem estudante aceitou o desafio na hora, algo que mudaria para sempre a sua trajetória de vida. Hoje, aos 21 anos de idade, Raphaela atua como voluntária nos projetos da ONG Argilando, com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento de crianças e jovens.

Como foi sua trajetória no trabalho voluntário?

Conheci o trabalho voluntário durante uma palestra realizada na minha escola. Por conta de trabalhar em uma casa de festas à noite e estudar de manhã, eu queria logo ir embora para a casa. Por causa disso, comecei a atrapalhar a apresentação do grupo que, diferente do que eu imaginava, não se abalava com as minhas intervenções. Já quase terminando a palestra, um dos integrantes me perguntou com o que eu trabalhava, e eu disse que era animadora de festas. Foi assim que surgiu o convite para animar uma festa para crianças carentes, em Niterói. E, desde então, não parei mais. Foi assim que comecei a entender o que era ser voluntário, dando um novo sentido na minha vida.

Quais foram as ações mais marcantes da sua atuação como voluntária?

Desde que comecei a realizar trabalho voluntário, todas as ações foram marcantes. Porém a de maior impacto foi no projeto Levantando a Bola, na comunidade São Lourenço, em Niterói.  Na ação, vi que um garotinho estava fazendo muita bagunça e me aproximei dele para perguntar o motivo do seu comportamento.  Depois de muito insistir, ele me disse que ninguém estava lhe dando atenção.  A partir daquele momento, vi como as crianças são simples e precisam ser ouvidas.  Levei isso para a vida, quando meus sobrinhos apresentam atitudes fora do normal, eu procuro entender o porquê agem dessa forma.

O que mudou na sua vida pessoal e profissional com os trabalhos voluntários desenvolvidos?

No início, quando fiz a primeira ação, tive um pouco de medo porque não era o que eu estava acostumada a ver. Eu me senti aflita e pensei em desistir, mas, como havia outros voluntários lá, que me deram todo apoio e força, fui firme e forte. Hoje, tenho total segurança de exercer o trabalho voluntário e de ser o que as pessoas precisam naquele momento; eu me reinvento de acordo com a necessidade do próximo e, por mais que no início tenha sido difícil, é totalmente motivador e é algo que me inspira.

 

O que você diria para os jovens para incentivá-los a fazer trabalho voluntário?

Fui uma adolescente rebelde, egoísta, que não tinha nenhuma perspectiva para a vida. O mundo precisa de nós – todos nós. Da mesma forma que estamos ajudando uma pessoa, alguém um dia pode nos ajudar. Faça uma ação, seja ela qual for, procure na rua alguém que esteja precisando de qualquer coisa, nem que seja um abraço, um sanduíche ou água. Acredite, o mundo tem jeito, e só depende de nós. O trabalho voluntário deveria ser algo cotidiano, natural. Então vamos mostrar que é possível e que qualquer pessoa pode fazer o bem para o próximo.
 



Edvan Miranda




A atuação como voluntário, desde a infância, fez com que Edvan Miranda descobrisse sua vocação como educador e trocasse duas vezes de curso na universidade. Aos 22 anos de idade, como estudante de Engenharia, ele conheceu o projeto de letramento e reforço escolar para crianças em uma comunidade perto da sua casa. A partir dessa experiência, optou por estudar Física e passou a lecionar no programa. Paralelamente, ele passou a fazer parte do projeto de visitação hospitalar, atuando com arte circense. Não demorou muito para que ele largasse a Física para dedicar-se integralmente à Pedagogia. Hoje, Edvan, aos 25 anos, atua com projetos culturais e educacionais, sendo um dos embaixadores do programa 365 Dias de Agir, que consiste em um calendário de um ano de ações diárias de voluntariado pelo mundo.

Quais foram as principais motivações para realizar o trabalho voluntário?

Minha profissão e fé me sensibilizaram para isso desde cedo. Eu via que alguém precisava do que eu era capaz de fazer, percebi que era bom nisso e que não me custaria ajudar. Na verdade, a ideia nunca foi fazer caridade, mas eu queria trocar experiência com outras pessoas. Mais tarde, conheci uma ONG e descobri um mundo de gente que compartilhava do mesmo ideal de transformação do mundo. Isso se deu no mesmo período em que entrei no projeto de letramento e reforço escolar. A intenção era aprender com crianças, adultos, jovens e a comunidade como um todo. Eu queria ser solidário. De fato, eu aprendi mais com eles do que eles comigo.

Como foi sua trajetória?

Eu decidi trocar o curso de Engenharia pelo de Física devido ao meu interesse em ensinar despertado no projeto social, já que era muito difícil conciliar a minha carreira com algo paralelo.

O mais incrível é que, logo em seguida, após entrar no projeto de reforço escolar e ter contato com o trabalho voluntário, eu também entrei em um projeto de visitação hospitalar, atuando como palhaço. A partir disso, eu ficava na expectativa de chegar logo o fim de semana para participar do programa ou de alguma oficina de palhaçaria em vez de ir à praia. Não demorou muito para que eu desistir da minha carreira na indústria. Larguei a faculdade de Física e fui estudar Pedagogia. E assim me dediquei ao trabalho voluntário e dei os primeiros passos para me profissionalizar na arte circense.

O que mudou na sua vida pessoal e profissional depois do trabalho voluntário?

Hoje o trabalho voluntário define quem eu sou, o que faço e o que serei e farei daqui para frente. Ninguém precisa largar o emprego, a faculdade e afins para ser voluntário. Mas ninguém fica igual depois do voluntariado. Dificuldade existe para viver, amar, existir, enfim, em tudo. A questão que deve ser colocada é quanto você está disposto a realizar determinada atividade em prol dos outros.

O que você diria para os jovens para incentivá-los a fazer trabalho voluntário?

Quando você faz pelo outro, você faz por si. A quantidade de benefícios que o trabalho voluntário pode gerar não cabe em uma lista. Você se cerca de gente disposta a fazer o bem, adquire maior serenidade para lidar com as pessoas, com o trabalho e a escolha da carreira. E ainda tem a questão de se sentir importante para algo. O voluntariado muda vidas, principalmente de quem o pratica.
 



Raquel Spinelli


Raquel Spinelli começou a atuar como voluntária aos 18 anos de idade, na igreja que frequentava. Ela levava os jovens da comunidade a passeios culturais e promovia atividades esportivas com o grupo. Durante cinco anos, por conta do trabalho, ela precisou se afastar parcialmente da ação, porém observou que as meninas que faziam parte do seu grupo começaram a engravidar ainda na adolescência. Atuando como fisioterapeuta, Raquel buscou o apoio de suas clientes grávidas para ajudar as jovens mamães com doações de artigos infantis. Foi assim que Raquel, aos 26 anos, criou a ONG Providenciando a Favor da Vida que, desde 2011, ajuda mães que passam pela gravidez não planejada, na Comunidade da Providência.  

Quais foram as principais motivações para realizar o trabalho voluntário?

As circunstâncias da vida me levaram a criar o projeto, por isso também a escolha da minha profissão, fisioterapeuta. A minha principal motivação foi o primeiro bebê que tive a oportunidade de acompanhar a gestação e o nascimento, além do desejo de fazer algo pelas pessoas da comunidade.  A criança que nasce de uma gravidez indesejada tem menos chances de desenvolver as suas potencialidades neurológicas na fase adulta, diferentemente do que acontece com uma criança desejada pelos pais, que na primeira infância recebe todo o afeto necessário para o seu desenvolvimento.

Como começou o projeto?

No início, o projeto era mais um trabalho de palestras, oficinas, atividades com foco na autoestima e confecção de enxovais para os bebês. Depois, compramos equipamentos para fazer os enxovais e criamos cursos.  Hoje, conseguimos mudar a forma como as mulheres da comunidade encaram a maternidade. Porém a maior dificuldade do projeto é conseguir apoio financeiro, temos muita ajuda pontual, mas manter a organização ainda é um desafio.

O que mudou na sua vida pessoal e profissional depois da criação da ONG?

Até julho do ano passado, eu conciliava a ONG com a clínica e família. Eu tinha que cuidar da clínica, da ONG e do meu filho. Assim, percebi que tinha que fazer uma escolha e abri mão da minha profissão que eu amo, a fisioterapia, para me dedicar a algo que amo ainda mais: ajudar quem mais precisa.

O que você diria para os jovens para incentivá-los a fazer trabalho voluntário?

O trabalho voluntário é algo gratificante, já que você pensa no outro e não só em si mesmo, pois nos deixa solidário em um mundo tão desumano. Se você tem o desejo de fazer um trabalho voluntário, a minha dica é que você escolha uma causa para exercer o voluntariado que tenha começo, meio e fim até mudar aquilo que tanto deseja.    
  


   
Bianca Simãozinho

Quando a jovem Bianca Simãozinho terminou o Ensino Médio, aos 16 anos, estava decidida a iniciar um trabalho cultural para beneficiar a sua comunidade. A partir deste desejo e com a ajuda de amigos e familiares, surgia a ONG Mundo Novo, no início, estruturada na própria casa da jovem, no bairro da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Ao se deparar com as desigualdades sociais e a falta de oportunidades no seu bairro, Bianca colocou a mão na massa e decidiu contribuir para transformar vidas. Doze anos se passaram desde a criação da ONG. Hoje, já com uma sede própria, o projeto é aberto a crianças e adolescentes de todas as idades: crianças de 2 e 6 anos frequentam aulas de educação infantil; as crianças e os jovens de 4 a 18 anos podem frequentar aulas de jazz, teatro, balé, artesanato, corte e costura e leitura, através do programa Arte Com Visão. Os adultos também são beneficiados pela ONG, que oferece uma turma de alfabetização, além de cursos de formação em parceria com o Senac. Atualmente, Bianca tem 28 anos e a instituição já formou mais de 800 crianças na Educação Infantil e encaminhou mais de 1.000 jovens ao mercado de trabalho.


Bianca Simãozinho com as alunas de balé da ONG Mundo Novo


Veja a entrevista com Bianca Simãozinho, uma jovem sonhadora que sabe fazer a diferença:


Bianca, quando e por que você começou a fazer trabalho voluntário na sua comunidade? O que te motivou?

Quando eu tinha 16 anos, terminei o Ensino Médio e estava decidida a iniciar um trabalho cultural na minha casa. Então, reuni alguns amigos e a minha família e contei meu desejo. Foi assim que tudo começou, com cada um compartilhando o que sabia fazer. Começamos divulgando o projeto com alguns cartazes feitos à mão nos comércios da comunidade. Para nossa surpresa, foram mais de 150 pessoas interessadas na primeira semana e logo encerramos as inscrições.

Eu tive o desejo de transformar o lugar onde eu morava e pensava: "Por que não existem oportunidades, espaços culturais, cinema, teatro onde eu moro?". Meus pais não podiam pagar para que eu frequentasse atividades culturais, então pensei: "Por que não trazer oportunidades gratuitas para a comunidade?".

O que mudou na sua vida depois da criação da ONG, tanto pessoal quanto profissional?

Depois da criação da ONG, comecei a me especializar em projetos sociais, em criar formas e buscar soluções para ajudar as demandas que buscavam o projeto, entender a vida das crianças e de suas famílias. Ganhei uma bolsa na faculdade e comecei a cursar Serviço Social.

Tudo isso mudou minha vida por inteiro. Passei a me dedicar integralmente às atividades do projeto. Muitos foram os acontecimentos nesses últimos 12 anos. Recentemente, inauguramos o primeiro teatro da cidade de Mesquita e realizamos diversas ações. Sou uma pessoa realizada que conquistou muitas coisas, mesmo parecendo impossível. Muitos acham loucura, outros fazem inúmeras perguntas e eu digo que isso me faz feliz, é meu fôlego de vida fazer os outros se sentirem bem e felizes. Quero mais amor, menos ódio, menos rancor. Tenho sonhos e luto para conquistar cada um deles, desde que eu não pense só em mim mesma e que isso não seja só para mim.

Você encontrou alguma dificuldade?

No início, houve muitas dificuldades: faltava um local para desenvolver as atividades, faltavam recursos, entre muitas coisas. Porém, isso não me fez parar. Existem muitos desafios para ser uma empreendedora social. As dificuldades continuam sendo as mesmas desde que o trabalho começou na casa da minha mãe.

O trabalho cresceu e as dificuldades e necessidades também. A cada dia é um novo desafio, um novo aprendizado. Só a prática nos proporciona aprendermos cada vez mais como fazer e como não errar. A maturidade veio e com ela, a certeza de que quero morrer fazendo o que faço. Lidero vidas que cuidam de outras vidas. Lidero pessoas em busca da paz e do amor no mundo, acreditando que um mundo novo é possível.

O que você diria para os jovens para incentivá-los a fazer trabalho voluntário?

Realizar um trabalho voluntário é uma oportunidade única de transformação social para ambas as vidas: a sua e a de quem está sendo beneficiado. Nesse momento você irá vivenciar uma série de experiência e emoções, irá descobrir seus maiores valores, aprenderá muito e irá crescer enquanto profissional adquirindo muitas experiências. O que sempre digo é que “dividir é a melhor forma de ser feliz, quem nunca ajudou está perdendo o melhor da vida!”.   
 



Débora Teixeira, Júlia Andrade e Marcela Toledo


Um simples trabalho escolar mudou a vida das amigas Débora Teixeira, Júlia Andrade e Marcela Toledo e de muitas pessoas para sempre. Essa história começou em 2012, quando o colégio em que elas estudavam promoveu uma feira cultural com o tema “Valorização da Vida”. Na época, as meninas decidiram fazer um trabalho com o intuito de ajudar hospitais que cuidavam de pacientes com câncer, pois tinham o propósito de mostrar para os alunos que todos poderiam contribuir com a sociedade de alguma forma. Com o auxílio de amigos, professores e familiares, arrecadaram brinquedos, roupas, alimentos e livros para o Instituto Nacional do Câncer. Depois de fazerem doações para o Inca, decidiram ajudar o hospital Mário Kroeff e, mais tarde, contando histórias para os pacientes no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Com a descoberta de que ajudar faz bem, o trabalho das jovens não parou por aí: hoje, todas com 19 anos, criaram o projeto NaFel – Natal Feliz – que ajuda dezenas de famílias todo ano com a doação de cestas básicas, além de promoverem uma festa de Natal para levar alegria aos pacientes com câncer no Hospital Federal da Lagoa. Conheça a história dessas três amigas que, apesar da pouca idade, decidiram fazer a diferença e não pararam mais!


As meninas em uma das visistas ao hospital


Veja a entrevista com as meninas que sabem fazer a diferença:


Meninas, quando e por que vocês começaram a fazer serviço voluntário? O que motivou vocês?

Nossa história começou em 2012, quando ainda estávamos no segundo ano do Ensino Médio. Tínhamos um trabalho interdisciplinar no colégio, que era a realização de uma feira cultural. O tema era sobre a valorização da vida, então, nós três e mais uma amiga que também começou o projeto com a gente, a Gabriela Marques, que precisou se ausentar, mas fez parte da história, decidimos ajudar pessoas que sofrem com o câncer. Depois da primeira campanha e da doação para o Inca, resolvemos trabalhar com crianças que sofrem com a doença. Algumas ideias foram surgindo ao longo da conversa e, a partir daquele momento, nos comprometemos a levar alegria para as crianças doentes.

Como foi essa trajetória?

Com a ajuda de colegas, familiares, amigos e professores, arrecadamos muitas doações (alimentos, materiais de higiene pessoal, roupas, brinquedos, livros) e entregamos no Inca. Lá, recebemos recomendações para ajudar outros hospitais como o Mário Kroeff, que recebeu nossa ajuda nos meses seguintes.

Encantadas e cada vez mais com vontade de ajudar, conhecemos a Bruna Mauro, mentora e criadora do projeto “Dia de Alícia”, que nos levou para mais uma linda história de superação e de ajuda ao próximo. A Bruna nos mostrou que, se queremos um mundo melhor, era necessário começarmos por nós.

Em 2013, fizemos com que os alunos e professores do nosso colégio contribuíssem com a nossa campanha. Passamos o dia no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro contando histórias para os pacientes. Mais tarde, realizamos a primeira edição de uma festa de Natal no saguão do hospital, com direito a Papai Noel, mágico, presentes, salgadinhos, refrigerantes e cestas básicas para cada família no Hospital Federal da Lagoa. A segunda edição, realizada em 2014, foi ainda mais bem-sucedida e incentivou-nos a querer evoluir ainda mais esse ano.

Vocês encontraram alguma dificuldade?

A maior dificuldade que encontramos foram as pessoas que achavam que o projeto não era legítimo e não colocavam fé no que fazíamos.

O que mudou na vida de vocês ao realizar este tipo de atividade, tanto pessoal quanto profissional?

Desde 2012, a nossa vida mudou. O nosso lado humano, em diversas situações, mudou. Podemos dizer que o NaFel mudou a nossa vida. Hoje, vivemos por esse projeto, respiramos solidariedade.

O que mudou na comunidade em que estão inseridas?

Nós conseguimos mobilizar os alunos e professores do nosso colégio nas nossas campanhas. Com isso, conseguimos despertar no coração de cada um que é possível ajudar ao próximo sem muito esforço. Que só precisamos ter amor, porque o restante flui.

O que vocês diriam para os jovens para incentivá-los a fazer serviço voluntário?

Diríamos que nós somos o futuro. E todas as mudanças que queremos para o mundo devem ser iniciadas por nós. Não adianta reclamarmos que o governo não faz não pelos mais necessitados, se não somos capazes de separar roupas usadas para serem doadas. Assim como não adianta achar projeto social "bonitinho", se não somos capazes de comprar um sabonete para uma determinada campanha. Nós queremos mostrar para o nosso Brasil o quanto as crianças doentes precisam da nossa ajuda. Então, jovens, sejam a mudança que vocês querem ver no mundo!



Katharine, Márcia Elena e Rogério Coelho


Imagine uma família em que todos os membros estão envolvidos em ações voluntárias – esta é a família Coelho. Mãe, pai e filha desenvolvem atividades em prol da comunidade e se orgulham em contar a sua trajetória com o voluntariado.

O casal Márcia Elena, 50 anos, e Rogério Coelho, 52, estão engajados em projetos sociais desde muito cedo. A paixão pelo voluntariado começou na vida da Márcia Elena por volta do ano de 1989, quando ela procurou o Instituto Benjamin Constant, instituição de ensino para deficientes visuais localizada no bairro da Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, para atuar como ledora. A partir daí, o interesse pela ação voluntária só cresceu e ela atuou em locais como o Instituto Nacional Fernandes Figueiras, também no Rio, especializado na saúde da mulher, da criança e do adolescente. Hoje, ajuda uma instituição religiosa e o Hospital Pedro de Alcântara desenvolvendo diversas atividades junto com o marido Rogério.

A história da Katharine, 20 anos, não poderia ser diferente: a filha do casal conta que foi "criada em um ambiente onde a caridade é uma meta". Desde pequena, aprendeu que, para ajudar, não precisava muito – doava suas roupas, brinquedos e outros itens para quem precisava e foi desenvolvendo o espírito comunitário essencial para continuar ajudando até hoje.


Família Coelho: Katharine, Márcia e Rogério


Veja a entrevista com Katharine e Márcia, família que é pura inspiração:


Por que começaram a fazer ação voluntária, com que idade e o que motivou e inspirou vocês duas?

Márcia: A minha história com ação voluntária teve início há muito tempo, mais exatamente no segundo semestre de 1989, quando eu tinha 24 anos. Terminei a Faculdade de Comunicação Social no primeiro semestre, já estava empregada e com tempo disponível para servir. Pensei: o que fazer? Procurei o Instituto Benjamin Constant, na Urca, especializado em deficiência visual, pois queria ser útil para um segmento que realmente é dependente. A cada dia era um aprendizado para os dois lados.

Depois, fui convidada a participar de um trabalho de datilografar documentos numa instituição religiosa. Casei, tive minhas duas filhas e recomecei a ação voluntária: agora no Instituto Nacional Fernandes Figueiras, no Flamengo, no projeto Biblioteca Viva, a partir de 2000. Era ledora, novamente, mas agora de estórias infantis. Levávamos os livros e as crianças escolhiam as estórias que iríamos ler. Cheguei a levar as minhas filhas algumas vezes para essa atividade.

Depois, ocorreram novas mudanças e o engajamento num movimento religioso. Já fui do apoio em evangelização infantil, e hoje participo de bazares em instituições distintas. Trabalho com mais disponibilidade de tempo em duas instituições: em uma, na recepção, semanalmente, e na outra, na área de divulgação, presencial e também pelas redes sociais, o que me demanda bastante tempo.

Katharine: Eu percebi que poderia dar ao próximo aquilo que recebia em casa: atenção, carinho, abraços... enfim, ser solidária! Na realidade, recebi muito mais do que dei.

Em suma, fui criada em um ambiente onde a caridade é uma meta. Comecei quando era criança, separando os meus brinquedos que estavam sem uso, mas em boas condições, além de roupas, sapatos, tênis e livros. Também sempre aderi a campanhas de alimentos não perecíveis nos meus colégios. Minha família participava – e ainda participa – de almoços, chás, bazares para arrecadação de fundos em prol das instituições, eventos fraternos de um modo geral. Auxiliei na evangelização infantil e no lanche para as crianças. Este ano, conheci a ONG Arong, com a qual acabei me identificando e fui convidada a colaborar.   

Você encontrou alguma dificuldade?

Márcia:  Quando lia para deficientes visuais, muitas vezes encontrei a seguinte dificuldade: como me fazer ser entendida, principalmente estando numa situação abstrata? Às vezes, dava para pegar a mão e representar o que queria explicar. Tinha que ser criativa. Sofria quando algum ledor de outro aluno não comparecia e o seu assistido tinha prova e não havia substituto, o que o impossibilitava estudar. Aí, percebi a solidariedade entre eles: era consultada se poderia ler para aquele aluno, mesmo em prejuízo do jovem para quem deveria ler. Ou seja, era “emprestada”. E assim realizava com satisfação a minha tarefa de servir.

Katharine:  No Hospital Pedro de Alcântara tive que me adaptar àquela realidade difícil. Trabalhei com internas que sofriam desequilíbrio mental. Muitas eram esquecidas pelas famílias.

O que mudou na sua vida, tanto pessoal quanto profissional, ao realizar este tipo de atividade?

Márcia: O contato direto e a possibilidade de ser útil criaram em mim um estímulo que influenciam a minha conduta diariamente. No meu entendimento, percebo que faço a diferença, nem que seja só naquele momento. Mesmo que seja pouco tempo, você indiretamente foi o veículo de uma transformação.

Katharine:  Passei a ser mais comunicativa, aberta a outras opiniões e conceitos, e a mudar a minha linha de pensamento. Como cresci num lar onde há constante esforço para o nosso aprimoramento moral e educacional, em alinhamento com a conduta do bem, acredito que isso me auxiliará na vida profissional e pessoal.

O que mudou na sua comunidade?

Katharine:  O que observo é que a quantidade de voluntários e de visitantes às meninas no hospital vem aumentando devido à divulgação que fazemos, além de constatar a mudança na vida de cada um que ajudamos.

O que você diria para os jovens para incentivá-los a fazer ação voluntária? 

Márcia:  Dá satisfação receber um abraço apertado de uma criança que você acompanha há algum tempo e antes nem conseguia expressar um sentimento, ou aquela pessoa que só quer ter alguém para conversar e te agradece aqueles momentos compartilhados. São tantas emoções que me fizeram valorizar o quanto um sorriso, um gesto, uma palavra, um olhar, ou qualquer outro meio de expressão, realmente, pode ser importante e inesquecível no comportamento daquele a quem assistimos.

Katharine:  É um ato de amor no sentido mais profundo e puro da palavra. No momento em que você pratica a caridade – do trabalho mais simples, sem estar em evidência, ao de destaque – é quando encontramos o nosso eu real, genuíno, sem máscaras, sem maquiagem, sem ser supérfluo, sem ser comum. Sinto-me completa nessa atividade.


Prudential do Brasil